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quarta-feira, 3 de junho de 2020

CURIOSIDADES SOBRE A POSSE NAZARÉ



Foto: José Maria Dias - 2009

CURIOSIDADE POSSE NAZARÉ

 

Você sabia que em tempos remotos a área onde está situada a fazenda Nazaré era composta por várias posses que depois foram sendo compradas e juntaram-se em uma só propriedade.

Veja como era, onde está hoje a Casa da Fazenda Nazaré, tinha como primeiros posseiros os senhores Domingos Valente Barreto e Antônio Miguel Ayres da Silva em cuja a posse tinha como nome posse ‘São José”, registrada em 02/10/1890, após a morte de Antônio Miguel Ayres sua parte ficou para sua esposa Catarina Barreto da Silva e a parte de Domingos Valente Barreto ficou, após sua morte, com a sua irmã Isabel Valente Barreto e seu esposo Francisco de Souza Vasques que registraram 01/05/1897.

Limitando-se com a “Posse São José”, isto é ao lado, morava o casal Domingas Rosa da Conceição e de José da Silva de Lauro que eram proprietários da posse “São Joaquim” que haviam registrado em 26 de junho de 1872, após suas mortes herdam a propriedade os filhos Simão Junior da Silva, Quitéria Maria da Conceição e Vitoriana Maria da Conceição. Sabe-se que esta posse no limiar de 1930, encontrava-se como proprietários de da metade dessa faixa de terras, os irmão Fortunato Ferreira do Nascimento e Joaquim Ferreira do Nascimento que ainda haviam dividindo sua metade em duas propriedade a parte de Fortunato ficou com a denominação de “São Joaquim” e a de Joaquim com a denominação de “São José”, os dois irmão haviam comprado a metade da posse “São Joaquim” de Domingas Rosa da Conceição e de José da Silva de Lauro.

Assim, morando em uma faixa de terras encravada entre as “Posses São José e São Joaquim morava o senhor Leocádio Coelho Barreto que havia herdado de seu sogro a “Posse Boa Vista” em 25/06/1884 e a registrou em 25/07/1894. Sabe-se que em 19/09/1937, a metade dessa “Posse Boa Vista” está nas mãos de Joaquim Barreto Macêdo que vende essa propriedade para José Dionizio do Carmo. A outra metade dessa posse foi vendida para o casal Antônio da Gama e Clementina Gama Picanço que registram a parte que lhes pertencia dessa propriedade em 08 /01/1898 com o mesmo nome de “Posse Boa Vista”.  

Um pouco mais abaixo localizava-se a “Posse Pouco-Durá” que tinha como proprietários o casal Felícia da Conceição Arrelias com seu segundo esposo Zeferino Rodrigues Arrelias que registraram a propriedade em 23/03/1895, e deixaram como herdeiros os filhos: Joaquim Claudomiro R. Arrelias, Antônio Rodrigues Arrelias e Maria do Espirito Santo da Conceição. É interessante destacar que antes do Falecimento de Zeferino Rodrigues Arrelias, ele com a esposa haviam dividido a “Posse Pouco-Durá” em três partes ficaram com uma e venderam uma parte da posse para Manoel Francisco de Souza  e outra parte por sua vez para Alberto Barreto Bousse e sua mulher Maria Adalacia Bousse.


Foto: José Maria Dias - 1990 


O SURGIMENTO DA “POSSE NAZARÉ”

 Em 15 de setembro de 1930, o Coronel João Honório Alves que tinha como esposa Dona Sidônia Corrêa Alves, compra a metade da “Posse São José”, dos herdeiros de Antônio Miguel Ayres e esposa Catarina Barreto da Silva. Uma extensão de terras que media duas léguas de frente por duas de fundo pouco mais ou menos. Assim, limitando-se pela frente pela margem direita do Igarapé do Lago, pelo lado de cima pelo Repartimento, pelo lado de baixo com o braço do Igarapé do Lago – subindo o Rio Vila Nova até o Igarapé Limão, subindo por este até as nascentes deste, cortando em linha reta até o dito repartimento.

Destarte, com a intensão de expandir suas atividades agropastoris em sua propriedade, que passou a se chamar “Posse Nazaré”,   o Coronel João Honório, começou uma sucessiva aquisição de propriedades que viria mais tarde a torná-lo no final da década de 1940, o maior proprietário de terras do Igarapé do Lago. Sua primeira aquisição foi a “Posse São Joaquim” de Fortunato Ferreira do Nascimento e uma parte da “Posse São José” que pertencia a Joaquim Ferreira do Nascimento, conforme consta o memorial descritivo dessa posse que encontra-se no IMAP. Em seguida faz a compra de uma parte da “Posse Boa Vista” que pertencia ao senhor Leocádio Coelho Barreto. Depois em 03 de janeiro de 1938, compra como diz a escritura um quinhão da “Posse Boa Vista” pertencente a Clementina Gama Picanço, viúva de Antônio da Gama, tendo anteriormente já comprado uma outra parte dessa dita “Posse Boa Vista” no dia 20 de setembro de 1937, de José Dionizio do Carmo.



Foto: Gabriel Penha - 2019

Determinado em ser o pioneiro na criação de Búfalo no Igarapé do Lago, tendo em vista, que na época já era notável na criação extensiva do rebanho Bovino, além do cavalar e de lanígeros. Assim, o Coronel João Honório parte para aquisição de uma grande área que pertencia a vários proprietários, a “Posse Pouco-Durá”. Neste sentido, no dia 18/10/1937 faz a compra de uma parte dessa posse do senhor Manoel Francisco de Souza e também compra a parte que pertencia aos herdeiros de Antônio Rodrigues Arrelias que foram representados, no ato da compra, por sua mãe Antônia de Jesus Arrelias e para totalizar a compra do restante da “Posse Pouco-Durá”, faz a compra da última parte dessa posse ao senhor Alberto Barreto Bousse com sua esposa Maria Adalacia Bousse.

Aguisa de informações, o Coronel João Honório após uma viagem na Ilha do Marajó e de ter se certificado da resistência e da produtividade do Búfalo, então resolve comprar cinquenta cabeças de Búfalo, segundo informações colhidas dos anciões do Igarapé do Lago. Assim, depois de avaliar vários pontos positivos na criação bubalina, como longevidade, fertilidade, adaptabilidade, dentre outros, resolve fazer a opção pela raça carabao, também conhecido como búfalo rosilho, tendo Honório levado em consideração o ambiente pantanoso, da “Fazenda Nazaré “.  

Mas nem tudo foram flores, o Coronel João Honório percebe que desde que comprou a Fazenda em 1930, sempre aparecia um novo proprietário com algum documento que comprovava parte em alguma posse que ele comprava. Assim, foi à Macapá e procurou o Juiz de direito da Comarca de Macapá senhor Dr. João Gualberto de Campos – e deu entrada em 09 de fevereiro de 1932 com a solicitação da medição e demarcação de sua fazenda “Nazaré”, situada a margem direita do Igarapé do Lago.


Foto: William Valério - 2018

Desta forma, a tramitação do processo ocorreu e o Sr. Juiz de direito, marcou uma audiência especial para medição e demarcação da fazenda “Nazaré no dia 13 de setembro de 1938. Os trabalhos tiveram início ás 9:00h, na casa de propriedade e residência do Coronel João Honório Alves, situado na Fazenda Nazaré, no Igarapé do Lago. Havendo intimado as partes que se queixavam, então já tendo anteriormente estudo o processo determinou que em relação a “Posse Pouco-Durá, era legitima a compra feita e paga aos herdeiros de Zeferino Rodrigues Arrelias, no entanto, pelo fato de um de seus herdeiros, no caso Antônio Rodrigues Arrelias ter vendido sua parte para Estácio Picanço (falecido), faltava pagar uma pequena quantia ao seu herdeiro João Picanço Gaia que estava presente na audiência.


Foto: José Maria Dias - 1990

Participaram dessa audiência o Sr. Juiz de direito Dr. João Gualberto de Campos, o prefeito da Comarca de Macapá João Pereira de Sá, o Coronel João Honório Alves - na condição de demarcante, além de moradores do Igarapé do Lago envolvidos no processo como João Capistana Picanço, Estácio Aurélio Picanço, José Canuto Picanço, Demétrio Lino Azevedo – Todos estes na condição de confinantes e representantes das terras vizinhas e circunvizinhas. Tendo, ainda, participado Bem-Hur Correa Alves, Manoel Antônio Fernandes, Mamede Pereira da Silveira, Raimundo Gemaque, Pedro Amaro, José Brito de Andrade e Raimundo da Silva Junior – na condição de testemunhas. Além de ter assistido a referida audiência os senhores: José Araújo do Carmo, Raimundo Nonato Picanço, Zeferino dos Santos Arrelias.

É importante destacar que é citado nessa audiência, presença de diversos moradores que viviam na condição de agregados com casas, produzindo suas culturas de mandioca, milho e abacaxi, sem ônus para o proprietário, no qual os agregados em um contrato declaram que as terras que cultivam pertenciam a “Fazenda Nazaré” de propriedade do Coronel João Honório. Está primeira presença de agregados, se dar nas terras firmes próximo aos castanhais, foi citada no memorial descritivo da posse Nazaré – IMAP. Há outra citação de um agregado na margem do igarapé “João Pereira”, em uma casa que morava com sua família e produzia culturas de mandioca, como também é citado a existência de duas casas de forno e que o mesmo vivia ali com o consentimento do proprietário.

Após, vários anos de trabalhos agropastoris na Fazenda Nazaré, e também de ter se decepcionado com a fuga mássica de todo o seu rebanho Bubalino que ausentaram-se para a selva se tornaram Selvagem. O Coronel João Honório vende a metade da Fazenda Nazaré para o senhor Tibúrcio Ribeiro de Andrade, domiciliado no município de Macapá e residente na cidade de Belém, capital do estado do Pará. 


Foto: Gabriel Penha - 2019

Neste sentido, o senhor Tibúrcio Ribeiro de Andrade paga ao senhor João Honório Alves e sua mulher Dona Sidônia Corrêa Alves a quantia de cinquenta mil cruzeiros (Cr$ 50.000.00). Pela metade da Fazenda Nazaré, contendo uma casa edificada em madeira com os seguintes compartimentos: sala de visitas, varanda, três quartos, despensa e cozinha - construída de madeira de lei, coberta de telhas de barro – com assoalho e paredes com tábuas de andiroba; além de currais com flechais de madeira de lei, estando a toda a fazenda cercada com cerca de arame. As escrituras também citam que a fazenda tinha no ato da compra noventa e quatro cabeças de gado vacum – vinte sete cabeças cavalar, vinte lanígeros -15 suínos e mais moveis e utensílios no valor de mil setecentos e noventa e um cruzeiros (Cr$ 1.791.00).

O senhor Tibúrcio Ribeiro de Andrade, faz o registro da Fazenda Nazaré em seu nome no dia 24/05/1943. O corte temporal de nossa pesquisa mante-se até o ano de 1945, a partir desta data o que temos são os registros orais. Assim, sabe-se que na década de 1950 os irmão José e Luiz Lacerda compraram a “Posse Nazaré” e está continua com seus herdeiros até os dias atuais.

 

Fonte: D.T.C. Livro nº 02 – Registro de Título e Documentos de Terras – 1949. Acervo Fundiário - IMAP. 








terça-feira, 2 de junho de 2020

IGARAPÉ DO LAGO DIVISÃO JUDICIÁRIA E SUBDISTRITAL




Fonte: Arquivo Público do Pará

Você sabia?

O Igarapé do Lago desde do início do primeiro quartel do século XX, ocupava posição de destaque, quanto a circunscrição judiciária, sendo inclusive citado pelo governo do Estado do Pará no quesito Divisão Judiciaria e mencionado nos “Relatórios dos presidentes dos Estados Brasileiros” como 6ª circunscrição judiciária do município de Macapá. Neste sentido, o “Jornal do Comércio” de Manaus do dia 03.08.1922, na edição N° 6554 – Anno XIX – Fl. 01, informa a nomeação do Sr.  João Batista de Azevedo Picanço, para exercer provisoriamente a função de Tabelião e escrivão da 6ª circunscrição (Igarapé do Lago). Assim, fora nomeado como suplentes os Srs. Capitão Raimundo Picanço e Elias Pires Nunes, que acredita-se que houve um erro de grafia no sobrenome que ao invés de ser “Pires” supõem-se que seja “Peres”, pois no Rio Vila Nova na entrada do Igarapé do Lago, havia nessa época um dito Elias Peres Nunes que havia comprado do Major Jacinto Salgado Alves Coelho a posse “Igarapé do Lago, cujo o local dessa propriedade era conhecido pelo povo da localidade como Boca do Lago. Analisando-se do ponto de vista da localização faz sentido pois esse senhor morava no Início do Igarapé do Lago parte sul, enquanto que Raimundo Picanço morava no extremo norte do Igarapé do Lago e assim certamente ficaria mais fácil manter o controle em toda a jurisdição territorial do Igarapé do Lago.   

Fonte: Biblioteca Nacional

   

Nas edições C00081 de 1925, C00086 de 1930 do Almanak Laemmert, aparece na planilha da Divisão Judiciária e administrativa do Estado do Pará relacionado a Município/ Distritos e Circunscrições, consta o Igarapé do Lago na jurisdição do Município de Macapá. Indicado como 6ª circunscrição do território do Amapá. 


Fonte: Biblioteca Nacional

Saiba mais

        Para cumprir o que preconizava o decreto-lei n° 7578 de 23 de maio de 1945, que estabelecia a divisão administrativa e judiciária do Território Federal do Amapá, assinado pelo presidente Getúlio Vargas e publicado no diário oficial da união do dia 25 de julho de 1945 - Determinando que o Governador do Território dividisse os Distritos Municipais em Subdistritos.  O governado Janary Nunes - publicou na edição n° 22 – Ano I – Páginas 3 e 4 do jornal “Amapá”  de 18 de agosto de 1945 os decretos n° 31 de agosto de 1945 e o decreto n° 29 também de 10 de agosto de 1945. Esses decretos estabelecem que o Município de Macapá ficaria dividido em 4 subdistritos: Macapá, Macacoari, Pedreira e Igarapé do Lago. No qual a subdivisão do Subdistrito de Macapá com o Subdistrito do Igarapé do Lago começava no talvegue do Rio amazonas confronte a foz do braço de cima do Rio Matapi, seguia pelo álveo do referido rio, deixando para Macapá a Ilha de Santana, até sua nascente, e desta por uma reta até a divisa entre os distritos de Macapá e Ferreira Gomes. Ficando o Igarapé do Lago como uma dessas sede dos subdistritos. 







sábado, 9 de maio de 2020

RAIMUNDO E MARIANO PICANÇO

                                                                                                                                                                                                                                                                                       Foto: arquivo família Lau

                                                                                                              

VOCÊ SABIA?

CAPITÃO RAIMUNDO NONATO RODRIGUES PICANÇO

Raimundo Nonato Rodrigues Picanço era irmão de José Rodrigues Picanço, os dois irmãos eram proprietários da Posse Bois de 1894, no Igarapé do Lago. Foi casado com Inês Tereza Picanço. Os dois filhos dele com maior destaque no Igarapé do Lago foram José Canuto Picanço e Mariano Aleluia Picanço. Raimundo Picanço foi considerado, no Igarapé do Lago, o maior criador de gado bovino de seu tempo, com mais de duas mil cabeças. Sendo inclusive referenciado no Anuário administrativo do Brasil - Almanaque Laemmert- Rio de Janeiro, nas edições de 1913 a 1917, no Quesito Criadores (Fazendas de gado),nas informações referente ao estado do Pará, aparece relacionado entre os maiores pecuaristas do Município de Macapá.


MARIANO ALELUIA PICANÇO

                                                                                                                                                                                                                           Foto: arquivo família Lau

Mariano Aleluia Picanço, foi um grande ativista social de seu tempo. Pecuarista renomado seguindo os passos de seu pai também tinha uma das maiores fazendas de gado bovino no Igarapé do Lago, além de várias posses na região que utilizava com investimentos na pecuária e agricultura. Além de visionário e empreendedor, Mariano Picanço, também destacava-se pela postura ética, humana e generosa que contagiava todos com sua gentileza que lhe era peculiar.  

Mariano Picanço, era casado com Dona Josefa Lau Picanço, foi um dos grandes líderes comunitário do Igarapé do Lago, seu nome é citado na organização dos principais eventos da Comunidade, dentre os quais destaca-se as festividades do Divino Espirito Santo, Nª Sª da Piedade, Nª Sª da Conceição, além de várias atividades relacionadas a Organização do Comunitária, as quais destaca-se: a solicitação de uma embarcação para comunidade - na década de 1960, limpeza do igarapé, reforma da escola, multirão para reforma da igreja,  abaixo-assinado solicitando a construção da estrada, construção do trapiche, poço público, dentre outros.

                                                                                                                                                                                                                           Foto: arquivo família Lau

Mariano Picanço, era como poucos, um grande entusiasta e apaixona pelo Igarapé do Lago, mantinha boa relação com as autoridades de Macapá, Levando “a convite” vários governadores e prefeitos até a comunidade, foi também um dos responsáveis pela ida do grupo de Batuque do Igarapé do Lago até Belém para participar de um festival folclórico no Teatro da Paz em 1977. Dentre as inúmeras contribuições que o mesmo realizou em prol da comunidade. 




PERSONALIDADES DO IGARAPÉ DO LAGO

RETROSPECTIVA DA FESTIVIDADE DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE

 

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